VALE TUDO


(peço licença ao mestre)

Eu nasci, há 10 mil anos atrás

por Daniel "Boca" Tenreiro (12/06/2008)

 

Os primeiros games que surgiram no mundo, eram grafica/fisica/inteligencialmente inferiores aos de hoje. Os aparelhos possuíam fios de cobre que saíam de dentro das caixas de madeira e silício, onde íam os cartuchos também. Fontes de energia eram necessárias para no máximo oito horas de jogo, já que esquentavam a ponto de estragar (caso houvesse um mínimo descuido). Era essa a cena que rolava no mundo dos games nos anos 80. 
 
No Brasil, a Tec Toy se encarrega de fazer o Master System e a Playtronic representa o Nintendinho 8 Bits (que no Japão era chamado de Famicom). É o nascimento do Mario, Sonic e Alex Kid. Venceu o primeiro, o segundo também, o terceiro parou por alí mesmo. 
 
Demora um tempo e os jogos ganham mais detalhes, como efeitos visuais e design mais adequado. Aí você pecebe que a coisas mudaram um tanto: deixou de ser uma caixa-preta e passou a ser um brinquedo mesmo. A questão dos fios e toda essa burocracia eletrônica ainda precisava de melhoras, mas diante daquilo que era apresentado na tela, se tornava o menor dos problemas. Os tais dos BIT's , ninguém sabia direito o que era, mas fazia idéia de que quanto mais, melhor.  
 


 Do Stop Motion ao 3D-Virtual

 

A primeira coisa que se conhecia em três dimensões nos anos 90 eram os óculos especiais, que vinham encartados na revista de Dinossauros. Mas é válido lembrar que estamos no Brasil e essa tecnologia já era estudada desde 1911 (saiba mais aqui). A mídia especializada surge no Brasil, enquanto tudo está acontecendo.  
 
A próxima febre foi o Playstation e a popularização das televisões com áudio e vídeo. Era 1+1: fácil instalação (tinha 4 fios ao todo), jogos em três dimensões e variedade grande de títulos. Aí já era possível discernir o bonito do feio. 2D era feio, Playstation era lindo. Ah, e o Atari se tornou coisa de velho. Numa tentativa desesperada a empresa nipônica Nintendo coloca à disposição do consumidor um console robusto, com 64 Bits: Nintendo 64. E entramos de vez na era das três dimensões.

 

 

 Portáteis pocket de bolso

 

As crianças mudaram um pouco o rumo das coisas, com Quakes e Counter Strikes. Mas os consoles domésticos continaram evoluindo e a mídia noticiando. A SEGA , que ficou famosa com o Mega Drive, agora fabrica o Dreamcast. Gráficos de média-definição, jogos interessantes. Não deu nem tempo de lançarem uma revista especializada para ele. Os portáteis entram em cena, pensando em um público-consumidor mais adulto, ou seja, aquele que fica plantado horas na filas do banco ou no meio do trânsito, sem fazer nada. E lá está a mídia informando. 
 
Pouco depois, o Playstation 2 entra no mercado, concorrendo com a oriental Nintendo e seu Dolphin...que depois virou GameCube. Lembram dos computadores? Então, a febre on-line fez a maior empresa especializada do mundo crescer os olhos em uma mídia além dos PC's. E no ano 2000 já existem no mercado três opções diferentes, porém, muito bem direcionadas e para públicos diferentes. Precisa falar mais alguma coisa? Pois bem. 
 
Os portáteis foram melhorados e os celulares se tornam centros medianos de jogos eletrônicos. As empresas que investiram no mercado criaram portáteis com diferentes propostas: um era totalmente versátil, capaz de rodar filmes e músicas, além de jogos em 3D com boa definição de imagem. O concorrente, veio pouco depois, com seu aparelho interativo com tela sensível ao toque. Na falta (ou excesso) da criatividade, muito especula-se sobre como será a tecnologia adotada nos próximos anos. Lembrando que durante todo esse tempo, não só os produtos como também seus preços, foram aumentando cada vez mais. 
 


Ui, Trocentos e Noventa e Preisteixon Trêis

 

Pouco menos de 30 anos depois do primeiro parágrafo deste texto, vê-se que houve uma notória forma com a qual estas empresas cresceram, investiram e evoluíram neste mercado. A Nintendo tem um DS evoluído, a Sony, um Ultra-PSP e a Microsoft, que preferiu abstrair-se dos "de bolso", deu muito mais ênfase na vida on-line ao seu carro-chefe, além de ter uma tecnologia equiparável a dos mesmos. Então vamos voltar no tempo, só pra fazer uma comparação:

 

- Primeiro tudo era disforme, robusto e em duas cores 
 
- Depois tinha aparelhagem própria e efeitos especiais 
 
- Em seguida era possível interagir com tudo isto e ter uma qualidade de imagem de cinema

E agora? Simples. Os constantes progressos neste tipo de mídia (os jogos propriamente ditos) têm feito deles um espelho para as inovações técnológicas. Mas nada disso teria uma essência se por trás de tudo que você leu não existisse o fator principal, que é a diversão. É impossível comparar ou prever, afinal de contas, isso faz parte de um processo que não se consegue acompanhar por inteiro, pois não para de avançar. É como no cinema. O problema é que, o foco muda, e o que era divertido está se tornando apelativo. Tomem cuidado!  

    


 

 


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