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por Daniel "Boca" Tenreiro (15/03/2008)
Falta de dinheiro é o tipo de assunto que assola a imprensa brasileira. As grandes editoras tomam rumos cada vez mais bruscos, seguindo o antigo ditado: "Em time que está ganhando, não se mexe". E isso faz com que elas tendam a perecer com cada vez mais freqüência. O problema fica não só pelo custo, mas também pela ganância envolvida. Isto envolve política e economia, pois:
O valor das publicações brasileiras variam de acordo com o dólar. Beleza, isso se deve ao fato de que muitos dos papéis e matérias-prima utilizados por estas editoras são importados. Ou seja, se o dólar sobe, os empresários têm de subir os preços de seus produtos. Ou cortar gastos, (demissões, por exemplo) o que significa menos produtividade. Tudo isso pra que não exista alteração nos preços e o público-consumidor (conhecido também como "aceitação") fique na média planejada pela equipe de comunicação empresarial: que é um monte de gente que fica fazendo pesquisa e lendo relatórios que os donos de banca enviam, com dados informando quantas edições chegaram, quantas venderam e quantas retornam. É, tem gente que é paga pra fazer "tudo" isso (¬¬).
Mesmo o leitor que compra os itens não está satisfeito. E a hipótese desse problema é simples: a internet é um veículo de comunicação que serve tanto para o bem quanto para o mal? E no caso, para a falência. É simples: o cara paga 10 pau no mangá, ou quadrinho que for. Aí ele tem que ficar emprestando pros amigos e isso nunca dá certo, sempre vem com um defeitinho (mesmo que não tenha, sempre tem que ter). O que é melhor pra esse cara? Scanner, carai. Ele vai lá, copia as páginas lindonas e espalha pros amigos. Os amigos por sua vez, têm idéias e fazem sites, que com uma boa divulgação acabam comendo (boa) parte daquele público alí de cima (é, ela mesma, a dona "aceitação"). A hipótese não se confirma.
Bizarre Festival, o show dos Monstros
Depois de menos tudo, o UMPI adverte: TODOS os quadrinhos aquí citados podem e devem ser baixados gratuitamente. E pra quem pensa que não existe público pra isso, pensem como queiram. Se vier nego falando: "ah mas esse povo altera o contador", não teremos nem o trabalho de responder, afinal de contas, ninguém tem mais paciência pra ficar fazendo este tipo de coisa, né verdade? Abajo, alguns dos melhores quadrinhos segundo a parcial e pouco relevante opinião deste que vos escreve.
Academia Umbrela


Este quadrinho retratada um ambiente old scholl, ou seja, sombrio e com crianças mórbidas onde 7 pequenos heróis órfãos são "treinados" por um professor que é uma espécie de Einstein do novo milênio. Sabe-se lá Deus como, mas ele tem o conhecimento de que os pequenos possuem poderes especiais. A proposta de "Academia Umbrela" é uma ficção totalmente diferente daquela que o público está acostumado em ver por aí. Publicado pela editora "Dark Horse" e pouca divulgação nacional, é o que podemos chamar de "nova tendência" no que diz respeito aos heróis. E pra deixar vocês mais boqueabertos ainda, quem assina o traço da obra é o paulistano Gabriel Bá (http://10paezinhos.blog.uol.com.br/), um desenhista brasileiro. Já o enredo é de Gerard Way, o também vocalista da banda My Chemical Romance.
Trilha Sonora Recomendada
Banda: Smashing Pumpkings
Disco: **************
Fool Killer


"Foll Killer", que em bom português: "Matador de Idiota" é Batman com Justiceiro...cagado e cuspido: Um cara grande, cara de americano, com músculos até nas gengivas e que faz justiça com as próprias mãos, matando seus inimigos da mesma forma com a qual os criminosos matam suas respectivas vítimas. Se os Estados Unidos vivesse sobre regime militar, Gregg Hurwitz, autor de F.K. teria o mesmo destindo que Geraldo Vandré teve no Brasil. Os caras não economizam em tinta vermelha e preta e em alguns momentos é, de fato, interessante. O problema é ser parecido demais com o Batman mesmo...
Trilha Ideal
Disco: The Judgment Night Soundtrack
Wormwood
A obra conta mundos sobre uma minhoca que vive dentro de um morto-vivo, chamado Wormwood. O fiél escudeiro deste "herói", é um robô construído por ele mesmo. Uma característica evidente nesta HQ é a dos "quadrinhos" grandes. Chega à parecer com paredes grafitadas, mostrando um gênero de se criar histórias até então pouco explorado. A política no mundo dos mortos-vivos é bem organizada. O cavaleiro de madeira, Wormwood é o "fiscal" da porra toda e cuida de quaisquer casos com muita cara de pau e sarcasmos espalhados pelo enredo. O cenário da coisa é bem construído e tudo é com cara de fábrica abandonada e bares sujos.
Pra Ouvir
Banda: Zú
Disco: Bromio
Bem Vindo à Tranquilidade


Quem deu vida à esta história (Gail Simone e Nail Googe) decidiu mudar um pouco o rumo das coisas. Observem: pra quê pessoas fortes, jovens e cheios de poderes, se também existem os velhos heróis, velhos...literalmente. E eles moram em uma cidade que é como um "retiro dos artistas".
Muitos deles seguiram outras carreiras, outros ainda permanecem inimigos mortais. A narrativa se desenrola à parttir de uma conversa de bar. Os amigos mais experientes começam à se lembrar de suas glórias do passado, seu jeito de viver e comparam com o hoje. Um deles, é Maxi-Man, um herói aposentado poliglota. Há muitos anos ele esquecera da palavra que o tranformava. Rola também uma putaria gratuíta com o casal 20 da HQ que é o então prefeito da cidade(!), "Juiz Fury" e a garçonete "Suzie Pink Bunny". O problema de Tranquilidade é justamente o fato dela ser uma cidade tranquila demais. A maior parte destes seres mitológicos, têm seus cérebros cansados demais e muitos deles não aceitam isto. "Bem Vindo à Tranquilidade" enquadra-se no gênero de humor dos novos tempos, além de ser uma sátira saudável aos mitos passados (The Thing Man O.o).
Ouva
Banda: Mr. Bungle
Disco: OU818 (lê assim: au ei rei tin)
Preacher
Saibam que a Vertigo é uma das produtoras de quadrinhos mais "trash" (pode-se assim dizer) que existe. Pensem que é coisa de roqueiro, "Hq maniac" ou o que for. O importante é que ela sabe como lançar títulos interessantes e que hoje fazem parte da cultura mundial.
E foi em cima de uma simples linha editorial: "faça algo bonito, atrativo e intrigante" que nasceu: "Preacher".


Tudo começa lá onde Deus perdeu as botas, no Texas. Preacher apresenta ao leitor um padre que curte tomar uns drinques e pregar a palavra de Deus, até o dia que, por uma ironia do destino muito grande, "ganha" um poder muito maior que o do todo-poderoso. Àpartir daí, ele monta então um grupo de mocinhos, que é formado por uma atiradora, um vampiro e um cara que teve sua face transformada em uma bunda...na verdade, um cú rockstar. O que eles querem com isso? Simplesmente a paz.
Acontece que aquí na Terra a coisa tá feia pacas. Vidas são jogadas fora, causando o sofrimento das pessoas. E se os senhores têm um mínimo de noção religiosa, devem saber que o papai do céu é aquele que: "tudo sabe e tudo vê". O problema é que tal "Jesse Custer" (o herói texano) descobre que tudo ficou desse jeito, porque o paraíso foi abandonado pelo criador. Isso mesmo, Jesus pegou suas coisas e foi dar um rolê, com medo do poder concebido ao pastor manguaceiro. A narrativa é a seguinte: "eu vou te pegar seu fodido" ou então "seu fodido de merda, seu caralho fodedor de mães" e por aí vai, em um vocabulário exótico e cheio de sotaques americanamente peculiares. Dica: não aconselhável aos que odeiam Marlboro.
Preacher tem 72 números ao todo. Mas se tirar as edições especiais, que são 6, temos portanto 66 títulos normais do começo ao fim...péraê...66, 6? Exactamiente vossa sapiência, isto foi meticuladamente planejado pela equipe de produção, o que pra época foi uma jogada bem astuta. Capitalistamente falando, o formato de gibi é indispensável aos colecionadores de plantão. Servem também como guia para aqueles que provavelmente não conseguiram terminar a coleção, que é distribuída gratuitamente no site: www.ptkomics.blogspot.com.
Óbvio
Banda: Jhonny Cash feat Bob Dylan
Disco: Nashvile Sections
Cigarro: é prejudicial à saúde
Tin Man


Frank Baum virou referência literária no ano de 1900. Sua carreira de escritor não obteve sucesso em outras empreitadas, à não ser aquelas em que tinha um tal de "OZ" no título. "Glinda of Oz" em especial, é o último volume da série, tendo sua edição (a última assinada por Baum, pois isso aquí já é domínio público desde aquela época) publicada em 1920, logo após seu falecimento. Uma curiosidade à respeito de Baum, é a de que ele era membro da sociedade teosófica. Aí você (com razão) se pergunta: "Ah, mas que porra é essa de sociedade teosófica?" portanto pense que: Sociedade Teosófica é um conglomerado de sujeitos que acreditam/seguem a doutrina da "Sabedoria Divina". Theos= Deus e Zofia= Sabedoria. Basicamente estes caras acreditam em planos extra-dimensionais e co-relacionados. Exemplo: Oz (O.o). PS: Thomas Edison (inventor da lâmpada) também curtia este estudo baseado em filosofia, religião e ciência.
Em suas obras, Frank deixa alguns símbolos, só pra constar. Cientificamente falando, Albert Einstein era membro da comunidade, uma vez que, ele citava a possível existência de outra dimensão, coisa de maluco mesmo. Por increça que parível (oh Jesus, com licença...) foi com base nisto que nasceu aquela teoriazinha que se ouve durante as aulas de Física: "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço". Se liguem no que virou a brisa desse cara (literariamente falando) nos dias de hoje:
"Cain" é um ciborgue membro de uma resistência, que teve seu coração escrotamente despedaçado, após ser separado de sua família. "Raw" é uma fera dotada de poderes místicos, que procura recobrar sua coragem, roubada através de torturas gratuitas patrocinadas por cientistas sangrentos . "Glitch", é um sujeito que trabalhava para o governo e que teve metade seu cérebro removido por conspirar contra o regime da rainha (e nos quadrinhos, é tosqueira, pois ele tem um zíper no meio da cabeça). E por fim, DG, uma menina que vai parar em um lugar chamado "Outher Zone" após ser atingida por um furacão. E senhores, eis aí o Homem de Lata sem sentimentos, o Leão sem coragem, o Espantalho que não pensa e a menina salvadora da pátria norte-americana. Tin Man, dá nome à re-leitura, do clássico criado por L. Frank Baum: "O Mágico de Oz". Resultado: não só virou uma HQ, como também uma série que rolou no Sci-Fi Channel...já sabe né, enfim. Destaque para Glitch, que é interpretado pelo ator: Alan Cumming (esse cara fez o "Noturno" em X-Men 2) e Raoul Trujillo (líder da tribo inimiga que aparece no filme de Mel Gibson, Apocalypto e provável parente do baixista da banda Suicidal Tendencies) no papel de "Raw".
A HQ quem disponibiliza é site www.ptkomics.blogspot.com e os episódios de tv, no seriemaniacos.wordpress.com
Acompanhamento
Banda: Super Junky Monkey
Disco: Parasitic People
PQP= Por que pode
Estas leis foram retiradas do livro: "Vade Mecum da Comunicação Social" de Ricardo José Neves (editora Rideel). Elas servem pra vocês terem uma idéia sobre aquilo que "protege" os direitos de obras como estas. Isto aquí é a resposta jurídica pra pergunta: "Dá problema?"
LEI Nº9.610/1998
Capítulo IV
Art.46.
DAS LIMITAÇÕES AOS DIREITOS AUTORAIS
I - a reprodução:
a) na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários e periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos.
Art. 47. São livres as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe implicarem descrédito.
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